sábado, 23 de agosto de 2008

Cinema fora de casa

The Hottest State, Ethan Hawke (2006)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A doce metafísica dos meus 25

O mais engraçado de viver em 2 cidades diferentes é que, ao fim e ao cabo, já não sabemos em qual das duas nos sentimos mais "estranhos".

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Quem «dança» seus males espanta

Nouvelle Vague, numa grande cover de um orginal de Billy Idol, dos já longínquos 80s (impossível esquecer).

Nouvelle Vague - Dancing with myself


P.S: Um grande vídeo, não fosse o caõzinho que por lá aparece a "coisinha" mais fofa do mundo (ou talvez não).

sábado, 16 de agosto de 2008

Distimia de fim de férias

Tindersticks, só podia.


Tindersticks - Buried Bones



I could take all the craziness out of you
That's what I loved you for
Take away all the oranges, greens and blues
That's what I loved you for
Take a look at me
You think it really could be that easy?
I mean, take a look at me
You think it really could be that easy for you?
I know about guys, I know where they live
And you're just the same
The ones that matter fight against themselves
But it's so hard to change
Hey, I could love you
Take all that love away from you
Hey, I could love you
Put you in this box I've made for two
So you could take all this craziness out of me
That's what you love me for
Well, I don't mean to laugh
But if you know all this
You must be halfway there
Well, like that dress tonight, you won't know as it falls from you
Turn around and it's winter, darling
Look in the mirror and it won't be you
So you're an old, old dog
You've been around the block
So many times
And it's the same old turns
Same old feelings straight down the line
Yeah, I can love you
Grab that leash and drag you to a place you'd never know
I know where my bones are buried
May take me a while, but I'd find my way home

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Poesia fractal


Nuvens não são esferas,
Montanhas não são cones,
Linhas Costeiras não são círculos
e a casca da árvore não é macia,
nem os relâmpagos viajam em linha recta.

Benoit Mandelbrot, The Fractal Geometry of Nature

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A1 Norte

A banda sonora com que começo as minhas férias: MGMT.

Ainda hoje me corre um arrepio pela espinha quando me lembro que troquei o concerto de MGMT por um medíocre concerto dos The National, em pleno Optimus Alive 08.
A fartura tem destas coisas.

E sim, as parecenças de um destes tipos com o Frodo são para mim, mais que evidentes.


MGMT - Time to Pretend (ou Os meninos à volta da fogueira)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

(KO)isas sem sentido (6)

Em letras bem grandes, vê-se o seguinte aviso na embalagem do parassol de alumínio que comprei para o meu carro:

DESTINA-SE, EXCLUSIVAMENTE A SER UTILIZADO COM O VEÍCULO ESTACIONADO.

Haverá mesmo alguma alminha que ande com um parassol em pleno andamento?

É daqueles avisos que nunca me ocorreriam dar a alguém. E para que conste, não me tomo por um indivíduo extremamente incauto.
Fiquei a pensar que deveriam ser "daquelas normas da CE".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Cenas que perduram (3)

Sideways, Alexander Payne (2004)

Miles Raymond: Let me show you how this is done. First thing, hold the glass up and examine the wine against the light. You're looking for color and clarity. Just, get a sense of it. OK? Uhh, thick? Thin? Watery? Syrupy? OK? Alright. Now, tip it. What you're doing here is checking for color density as it thins out towards the rim. Uhh, that's gonna tell you how old it is, among other things. It's usually more important with reds. OK? Now, stick your nose in it. Don't be shy, really get your nose in there. Mmm... a little citrus... maybe some strawberry...
[smacks lips]

Miles Raymond: ... passion fruit...
[puts hand up to ear]
Miles Raymond: ... and, oh, there's just like the faintest soupçon of like asparagus and just a flutter of a, like a, nutty Edam cheese...
Jack: Wow. Strawberries, yeah! Strawberries. Not the cheese...

sábado, 2 de agosto de 2008

Partituras

Enquanto as pessoas são novas e as partituras musicais das suas vidas ainda só vão nos primeiros compassos, podem compô-las em conjunto e até trocarem temas (como Tomas e Sabina trocaram o tema do chapéu de coco). Porém, quando se conhecem numa idade mais madura, as suas partituras musicais já estão mais ou menos acabadas e cada palavra, cada objecto, tem um significado diferente na partitura de cada uma.

in A insustentável leveza do ser, Milan Kundera

quinta-feira, 31 de julho de 2008

É...

...hoje deu-me para ser repetitivo. Mais que o habitual.
Apostar na "prata da casa", nos "mais batidinhos". "Jogo seguro", "passe curto", que é altura de descanso. E por falar nisso, parece que amanhã joga o Benfica (ainda a "feijones") e a coisa ainda não está lá grande coisa -que é como quem diz simpaticamente- ainda não está nada.

Eis que senão: a menina Feist. Again. And again.
O passo seguinte é o play. (Força! Não sejam tímidos!)

"Óhhh!Daqui!!!"
(enquanto faço aquele gesto de bater 3 vezes com a mão direita no pré-córdio.
Ou não fosse a menina dizer que tem um "Secret heart".)


Leslie Feist - Secret Heart


- A. L. A. -

O mesmo de sempre.
Lobo Antunes, e de novo a sua crónica na Visão.
Juro que um dia, em eu pegando "numó-nôtra" que guardo com mais carinho, ainda as mando encaixilhar.


As mulheres têm fios desligados

Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem
perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti está em mim
o que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam cm discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações no género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou mas foi
- Amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhonhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
- Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro gaja e vai pagá-las, dispostos apartes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- o problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio, de Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não esta em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto e, estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhes. Pode ser que façam falta. Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me. Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas a uma árvore a sorrir-me.

(KO)isas sem sentido (5)

Os pré-requisitos para ser revisor da CP. Quais são mesmo?
(É daquelas coisas que sempre, mas mesmo sempre, me fez confusão.)

"Simples" memória visual?
Pastilhas efervescentes de Gingko para a memória? Não creio.
Ainda não percebi como se consegue "passar a pente fino" um comboio de uma ponta a outra, sem hesitar.
Ou não fosse rara a vez que vejo o tipo a pedir 2 vezes à mesma pessoa pelo bilhete.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Snapshots

Foz do Arelho.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Até que a vista nos doa (9)

Diane Fleri

(Na sequência lógica de quem seguiu o conselho do post anterior.)

Cinema fora de casa

Mio fratello è figlio unico (porque em italiano soa sempre melhor...)
O meu irmão é filho único
Daniele Luchetti (2007)


"Fazei" um favor a "vós" próprios e "ide" ver este fantástico filme.
A casa não só aconselha, como vai com toda a certeza adquirir o distinto dvd aquando do seu lançamento.

A labilidade e fragilidade dos ideais a contrastar com a constância dos princípios.
O direito constante à indignação.
E a possibilidade de, tal como na vida, as coisas nem sempre correrem como docemente imaginamos.

domingo, 20 de julho de 2008

In my secret life, Mr. Cohen


Passeio Marítimo de Algés, 19/07/08.

Tenho a vaga lembrança de tempos em que até nem gostava lá muito de Leonard Cohen.
Parece que até me lembro de outros em que já gostava um pouco mais de Cohen (em parte graças à música de Jeff Buckley).
Lembro-me bem de não há muito tempo ter começado a gostar assim desenfreadamente de Leonard Cohen (em si única e exclusivamente pelo próprio). Se lembro.
Mas sei que hei de sempre lembrar-me que o vi ontem em Algés.


É que tem os dias em que penso que o verdadeiro segredo da vida talvez esteja mesmo algures no imperceptível continuum que vai do crescimento atribulado da juventude ao envelhecer harmonioso da idade (the wisdom of old). Tudo em seu tempo, tudo com os seus desafios e oportunidades. Sem pressas, sem demoras.

...e é ver que tão ou mais genial do um miúdo a brincar ao "e agora eu era o presidente cá do sítio e mandava nisto tudo e fazia o que bem entendia"...é um tipo de 70 anos, ao seu ritmo e à sua maneira, com o que resta das suas faculdades e consciente das suas inevitáveis limitações (mas na posse das suas sabedorias de vida), a divertir-se e a fascinar outros.



Leonard Cohen - In my secret life

I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can't seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much
There's no one in sight.
And we're still making love
In my secret life...

I smile when I'm angry.
I cheat and I lie.
I do what I have to do
To get by.
But I know what is wrong.
And I know what is right.
And I'd die for the truth
In my secret life...

Hold on, hold on, my brother.
My sister, hold on tight.
I finally got my orders.
I'll be marching through the morning,
Marching through the night,
Moving cross the borders
Of my secret life...

Looked through the paper.
Makes you want to cry.
Nobody cares if the people
Live or die.
And the dealer wants you thinking
That it's either black or white.
Thank God it's not that simple
In my secret life...

I bite my lip.
I buy what I'm told:
From the latest hit,
To the wisdom of old.
But I'm always alone.
And my heart is like ice.
And it's crowded and cold
In my secret life...

(KO)isas (com) sentido (5)

Há uns dias passei por um café de bairro que se chamava: "A Vida".

Aposto que se vende muito mais do que uma simples bica e pastel de nata.

Cinema fora de casa

Com não sei quantos meses de atraso, eu sei.
Mas vi.
E sim: o preto e branco fica do caraças e o tipo que faz de Ian Curtis faz grande papel sim senhor.

sábado, 19 de julho de 2008

(KO)isas sem sentido (5)

Ficar sem pc uma semana. É, por assim dizer, o pseudo-acidente vascular transitório (AIT) do novo século. O ridículo da dependência a que chegámos.

Cheguei a pensar o que deve custar a dependência da nicotina. Felizmente que a web não provoca cancro do pulmão ainda, caso contrário, pensaria mesmo em matar o bicho de vez.
Pior ainda: a factura que paguei pelos "trombolíticos" para pôr as "veias de comunicação" do menino limpinhas again (ainda por cima num "boteco" em plena grande superfície comercial de seu nome- aqui é que está a graça da coisa- Pc Clinic).

O diagnóstico: totalmente "entupido", ou não fossem os 28 vírus e não sei quantos spywares. Sempre achei ridícula a cena dos vírus (do velhinho e mítico barrotes- terror da minha adolescência, dos cavalos de tróia, trojans e não-sei-mais-quê...ao menos que lhes dessem nomes que realmente mete medo. Por exemplo, varíola mete medo, HIV também e são nomes de vírus. Isso sim).
Agora que me tocou bem de perto (e que bem tocou...acho que me acertou na carteira), então nem falo do quanto os acho ridículos mesmo. Talvez a informática fosse mesmo perfeita se não existissem estas tretas que minassem o pc volta e meia (ainda estou para conhecer o indivíduo que, em usando minimamente a web, não tenha de formatar o seu disco no mínimo de 4 em 4 anos).
Desta feita, foi eu o contemplado. Bingo!!!
(Será que se ganha mais alguma coisa pela linha completa?).


Obrigadinho, spams, spies e não-sei-quê-mais wares. Pelo menos, permitiram-me ver que ainda há mesmo vida além daquela 1h30-2h de net por dia (no mínimo). Sempre deu para redescobrir outras coisas que fazer.

E no final, trazer o convalescente para casa (cuidadinho com ele que a terapêutica foi muiiii cara e esteve mesmo mais para lá do que para cá), ligar a net e abrir sequiosamente a caixa de e-mail, apesar de 75% das novas serem spam. O mesmo que lixou tudo. De novo: ridículo. Como se muito coisa se tivesse passado (e que a falta de internet não me permitisse tomar conhecimento) durante o período da escuridão.


E o pior de tudo: no pacote de limpeza, a assinatura de um antí-virus de seu nome Kasparov, Kasposvsky ou lá o que é (Kaspersky, agora que vejo aqui ao lado). Não é que não meta medo a ninguém, mas lá que não inspira muita confiança, lá isso não.

Onde vamos nós parar?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vícios da urbe

Decidi começar esta colecção
(vá, em boa verdade, há muito que já a namorava).
Não que me preocupe a inevitabilidade da morte patente no título, mas sim a ideia de lá chegar sem a devida embalagem ou mesmo com um rótulo de "frágil".
É, por assim dizer, a "menina dos meus olhos" por estes dias e das estantes que orgulhosamente edifico.
Estes 2 (por 20€ cada) já cá moram:


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Até que a vista nos doa (8)/Cenas que perduram (3)

Porque das loiras há sempre uma excepção.

Kirsten Dunst, Marie Antoinette, Sofia Coppola (2006)

E a inevitável banda sonora. The Strokes.
Como se fosse preciso dizer mais alguma coisa.

E podia eu pedir melhor guia?


Fernando Pessoa, ele mesmo.

E assim prossigo a minha descoberta da cidade. Da Lisboa de 1925 em pleno ano de 2008. Da Lisboa de sempre. Pelas palavras do poeta. Divinal. Tou assim como quem diz: rendido a esta relíquia.
Por 9,33€ na Byblos Amoreiras. É meu e não dou a ninguém.

domingo, 29 de junho de 2008

(KO)isas (com) sentido (5)

Comentário ao post no blog de um amigo sobre alguns dos tempos de faculdade (sobretudo o último ano do curso):
«nota

Hoje passei pelo dr harry.
Parece que foi há uns bons tempos, muitas coisas já se passaram desde então, mas sinto-me tão puto como então...»

...Curioso, lembro-me como se fosse hoje (deixa-me contar-te isto apesar de já ir longo...lol) que um dia a minha avó me perguntou [em jeito de afirmação mais...ela era muito boa faladora mas às vezes mal dava tempo para responder tinha logo outra pergunta na calha ;)] se os anos da faculdade eram ou não dos melhores da vida (presumo que tenha ouvido esse mito em algum lado). Na altura, devo-lhe ter sorrido e nem sei se lhe respondi sequer (dos anos de faculdade nem dislumbrava o fim então). Hoje, se pudesse ouvi-la a perguntar-me o mesmo e se lhe pudesse responder, diria, sem hesitar, com o mesmo sorriso, mas talvez ainda mais rasgado: "Nem tu imaginas :)".
E o mais engraçado de tudo é que só agora é que me apercebo disso mesmo.

sábado, 28 de junho de 2008

Cinema por casa

O primeiro de uma caixinha de três cores (azul, branco e vermelho).

Trois couleurs: Blue, Krzysztof Kieslowski (1993)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Contrastes

Foto retirada do Portugal Diário

Dia de malas

À procura de algo que quebre o feitiço de Feist.
Aceitam-se sugestões.


Fiona Apple - Paper bag

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Absolutely Cohen

«Sometimes, when you no longer see yourself as the hero of your own drama, expecting victory after victory, and you understand deeply that this is not paradise...somehow we're, especially the privileged ones that we are, we somehow embrace the notion that this veil of tears, that it's perfectable, that you're going to get it all straight. I've found that things became a lot easier when I no longer expected to win.»

Leonard Cohen


Entrei oficialmente "em estágio" para o dia 19 de Julho.

«Those teenage hopes who have tears in their eyes, too scared to own up to one little lie»

Rachel Bilson (Again. Claramente, a favorita da casa.)

D.I.M.s 2

Tudo isto ecoou em mim ao ler este excerto de Memória de Elefante, de António Lobo Antunes:

Ao descer as escadas para o Banco distinguiu ao longe, perto da penumbra da sacristia a cheirar a verniz de unhas do gabinete das assistentes sociais, criaturas feias e tristes a necessitarem elas próprias de assistência urgente, um grupo de delegados de propaganda médica estrategicamente ocultos nas ombreiras das portas vizinhas, prontos a assaltarem de enxurradas palavrosas e por vezes letais os esculápios desprevenidos ao alcance, vítimas inocentes da usa simpatia impositiva. O psiquiatra aparentava-os aos vendedores de automóveis na loquacidade demasiado delicada e bem vestida, irmãos bastardos que se haviam desviado, na sequência de um obscuro acidente cromossómico de percurso, da linhagem dos faróis de iodo para as pomadas contra o reumático, sem contudo perderem a incansável vivacidade solícita original. Espantava-o que aqueles seres debitantes, sempre-em-pés da boa educação, donos de pastas obsesas que continham dentro de si o segredo capaz de transformar corcundas raquíticas em campeões de triplo salto, lhe dedicassem em chusma atenções de Reis Magos portadores de preciosas ofertas de calendários de plástico a favor dos preservativos anti-sífilis Donald, o inimigo público número um dos aumentos demográficos, suave ao tacto e com uma coroa de pelinhos afrodisíacos na base, de jogos de xadrez em cartolina gabando discretamente em todas as casas os méritos do xarope para a memória Einstein (três sabores: morango, ananás e bife de lombo), e de pastilhas efervescentes que rolhavam as diarreias mas soltavam as rédeas da azia, obrigando os doentes dos intestinos a preocuparem-se com as fervuras do estomâgo, manobra de diversão que lucravam os quartos de água das Pedras bebidos a pequeninos goles terapêuticos nos balcões das pastelarias. Os doutores saíam-lhes das pinças ferozes a cambalearem sob o peso de folhetos e amostras, tontos de discursos eriçados de fórmulas químicas, de posologias e de efeitos secundários, e vários tombavam exaustos trinta ou quarenta metros percorridos, espalhando em redor os perdigotos de pílulas do último suspiro.

terça-feira, 24 de junho de 2008

D.I.M.s 1

Profissão ingrata (se é que é esse o termo), tenho para mim.
Por outros motivos, e ao jeito de quem faz listinhas, outras duas que também teria séria dificuldade em exercer: revisor da C.P. (ainda hoje tenho alturas em que me questiono acerca dos pré-requisitos visuais e mnésicos necessários para tal) e empregado de café (em parte pelos mesmos motivos, juntamente com as tantas vezes necessárias destreza e acrobacia de mãos).

Por motivos profissionais, a convivência com os ditos delegados de informação médica (D.I.M.s) atingiu nos últimos tempos o auge dos auges. Quotidiana quase.

E eu, soldado raso (bem raso) na matéria, acabadinho de chegar das sebentas de Farmacologia- cujas listas de princípios activos eram empinadas à pressa e estupidamente nas vésperas- petrifico-me perante a minha estupidez avassaladora (houve até quem já me catalogou de "o farmacêutico"). Onde pára o meu 14 ou 15- senão me falha a memória, na dita cadeirona? vá-se lá saber (...saber de faculdade, será mesmo sempre assim?). Como se tudo aquilo que eu tivesse apre(e)ndido de nada me servisse. Rigorosamente nada. Única e simplesmente me capacita dessa mais-valia que é sentir-me ainda mais estúpido só. Um obrigadinho então aqui da minha parte pelo tempo perdido.

E eu de sorriso amarelo feito, mais de metade das vezes. E o deles, amarelo mais que tórrido, não do Verão que corre mas dos longos dias daquilo, penso eu às vezes.

E é o fármaco XPTO que por sinal é o mais barato e eficaz do mercado nos estudos comparativos (e eu a jurar que me tinham dito o mesmo da última vez sobre outro qualquer exactamente para a mesma maleita) e é o "como os Sr.Drs sabem" 1,2, 3 e 345 vezes (sim, sim...penso eu) e é a constante preocupação com a pobre carteira dos doentes apregoada aos 4 ventos.
E é "o melhor composto de todos os já feitos até hoje", verdadeiro elixir e quiçá ter o raio da doença e poder tomá-lo é muito melhor inclusive do que não a ter.

Não lhes invejo o ofício, mesmo.
Não que nutra por eles um sentimento de indiferença, ódio ou muito menos qualquer interesse (por maior vantagem que possa retirar das suas prendinhas- juntamente com as mesmas vêm quase sempre 75 kg de lixo às cores- não me sinto bem sempre que sou confrontado com a imensidão do farmaco-desconhecido que reduz e recambia o meu saberzinho para uma estante digna de uma colecção Luís XIV, de tão antiquado que é). Ainda assim, reconheço-lhes a importância de me manterem minimamente farmaco-actualizado e de esbofetearem com os ventos de mudança (ainda que de tanto sopro que ouça poucos julgo serem os que efectivamente constituirão novidade).
Gabo-lhes a técnica do sorriso mas não lhes invejo o ofício, isso não.

Mas digamos que causam em mim simplesmente o misto do que sinto quando o revisor então me pergunta pelo bilhete, a sórdida e dolorosa recordação das amargorosas listagens de fármacos da última hora e a minha rudimentar técnica de sorriso amarelo. E quanto a estes dois últimos, não lhes perdoo.

domingo, 22 de junho de 2008

Cenas que perduram (2)

The Last Kiss, Tony Goldwyn (2006)

Kim: Having a crisis are we?
Michael: Do I look like I'm having a crisis?
Kim: Everyone I know is having a crisis. I know you're not supposed to get them until midlife but I think something's happening to our metabolism.
Michael: Our metabolism?
Kim: [nods] Yeah, I mean the world is moving so fast now, we are all chasing something so fast that we start freaking out long before our parents did. Feel my heart.
[puts his hand in her chest]
Kim: Feel how fast it is?
Michael: ...that's a fast heart.
Kim: ‘Cause we don't ever stop to breathe anymore...
[takes his hand off her chest]
Kim: You gotta remember to breathe or you'll die.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

É uma destas então para esta mesa!

Porque está calor, porque está tempo para ouvir músiquinhas boas para assobiar e porque esta é uma delas.

E um videoclip impossível de resistir sem esboçar um sorriso. Com a vantagem de nos ensinar a montar um parapente a partir de um simples cortador de relva (curiosamente, num filme do Lynch o cortador de relva também serviu para um velhote fazer uma "viagem daquelas"...) e 300 g de massa encefálica, predominantemente vocacionada para a imaginação e (porque não?) para a capacidade de sonhar (só).


The Divine Comedy - The perfect lovesong

O "bode respiratório"

ou de Bestial (em 2004 e 2006) a besta.

Ricardo, Portugal-Alemanha 19/06/08, Euro2008

sexta-feira, 13 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Feist, Aula Magna, 11/06/08

O concerto na Magna numa palavra? Hmmm, ok: DOCE, muito DOCE.
Assim tipo...impróprio para diabéticos. É isso.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Publicitando músicas

Mais esta música de um anúncio da Super Bock.
Andava por aqui a arranhar a cóclea, havia uns dias valentes já.
Quando eu menos esperava, uma voz feminina rouca "chateava-me" por ser tão inquietante quanto bela. Gotcha u.

Brandi Carlile - The Story



All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

terça-feira, 10 de junho de 2008

(KO)isas sem sentido (4)

"Role-exchange"

Foto de Spencer Tunick

2:24 am

De há uns anos para cá descobri que há certas músicas que escondem segredos e, como tal, devem ser escutadas com atenção no silêncio da madrugada. Sozinhos. Quando o resto da malta da casa (se a houver) estiver a dormir. Família, respectivos, colegas de casa, animais de estimação, whatever, todos eles no seu cantinho e nós aqui.

São 2 e picos da matina e eu estou efectivamente aqui, sentado à frente do portátil, vagueando por uma meia dúzia de sítios/blogs habituais, de phones coladinhos aos pavilhões auriculares, a degustar cada pedacinho deste tipo: Bon Iver. Andava aqui há uns tempos na pasta do "a ouvir urgentemente", foi promovido ao leitor de mp3 na semana passada e atingiu o topo hoje.

Deliciosamente melancólico e qualquer coisa mais.
Um falsete que custa a digerir. Estranha-se um pouco mas entranha-se muito. E quando assim é...não há palavras.
Uma sugestão: esqueçam este tipo nas tardes solarengas e guardem-no para as noites de Verão, com aquela brisa fresca à mistura, naquele pedacinho em que tiverem a fazer o "fechado para balanço" da semana. Vos garanto que não se vão arrepender. Era menino para apostar forte e feio nisso. Se era.
Não aconselhado a distímicos. Só para gente de "barba rija".
E agora que penso nisso, tenho umas 2 ou 3 pessoas a quem gostaria de mostrar isto mesmo. Só. Aposto que iriam gostar, caso não o conheçam mesmo. Mas elas que se acusem no silêncio da madrugada. Assim o espero.

Há muito tempo que não ouvia uma coisa assim.
Deixem-me estar aqui noite fora a ouvir isto em repeat. É a única coisinha que peço, ok?


Bon Iver - Skynny Love




E mais interessante ainda foi constatar que por trás deste disco, há uma história de vida daquelas. (leiam com mais detalhe aqui).
Pelo visto, Bon Iver (de seu nome real Justin Vernon), um pouco à semelhança de "Into the Wild" (o filme de Sean Penn que retratava a vida de Christopher J. McCandless que se isolara no Alasca, alienando-se de toda a sociedade e onde viria a falecer) compôs este albúm (For Emma, Forever Ago) num retiro de 3 meses no Wisconsin, após ter terminado com a ex-namorada e ter decidido abandonar a sua anterior banda. Há males que vêm por bem. Se há.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

E lá vamos nós outra vez

Ao que parece está tudo pronto: a TV do café da esquina até já tem SporTv legal (imagine-se), as barraquinhas de finos já estão por aí espalhadas e já se veêm bandeiras contrafaccionadas com o vermelho bem à esquerda. A SIC e a TVi já nos deram a vasculhar a vida do Cristiano Ronaldo (e restantes), já lhe vimos a cor dos azulejos da casa-de-banho e até já sabemos qual o prato favorito dele. Sim, ao que parece, bacalhau à braz. Sim, bacalhau à braz. E ao que parece também, isto faz dele um exímio conhecedor e amante de peixe. Com uma subtil explicação: nasceu numa ilha rodeada de mar. Se ao menos fosse um cherne grelhado com molho de tártaro ou lombinhos de garoupa com molho de estragão...enfim. Pus-me a pensar qual será o prato favorito do Hélder Postiga, como é sabido, filho de pescadores da Póvoa. Confesso que vou indagar. Filetes de pescada Pescanova ou douradinhos Capitão Iglo? Gostos não se discutem mas rótulos talvez.

Entre estas manifestações, ia eu esta Sexta a caminho do C.S. onde me encontro, e entre umas poucas e tímidas bandeiras à janela, reparei num talho que ostentava orgulhosamente uns tantos cartazes, 100% "mão-facturados" a cartolina, tesoura, cola UHU, caneta florescente e mui imaginação, metade verde-metade vermelhos (felizmente cada metade no seu lado correcto): "Vende-se carne só NACIONAL"!!! (com nacional assim em letras bem maiscúlas). Não deu para esconder um sorriso, acho.

Seja como for, populismo ou não (para mim, as manifestações de terceiro-mundismo, felizmente, ainda são outra coisa e também as há por cá), cada qual à sua maneira (com ou sem sandes de torresmo e tinto, com ou sem apreciadores de peixe e bacalhau à braz), o futebol ainda vai sendo das poucas coisas que nos alegra. E ainda bem. Então festejemos sim senhor, e quando assim o justificar, que só nos faz bem. Mas não caíamos em exageros (tenho para mim que a piada do festejo está no gradual crescente da coisa, qual garrafa de espumante prontinha a abrir caso sejamos vencedores). Caso contrário, o que faremos nós quando formos efectivamente campeões?
Depois de muito pensar, e visto que esperas em aeroportos é "coisa de meninos", cordões humanos com não sei quantos kms idem, estádios a abarrotar também, bolos-de-não-sei-quê com não-sei-quantas-centenas-de-metros-de-extensão já nem falo...assim, radical radical mesmo mesmo (e único)...apenas me ocorre pintar os Jerónimos de verde e vermelho (as cores dos 2 grandes clubes da capital também, por sinal). Seja como for, tudo menos o Roberto Carlos a cantar a "Casa Portuguesa". Isso é que não. Isso já entra no domínio do terrorismo.

(agora que escrevo isto, e embora todos nos sintamos quase como campeões, apercebo-me da dura realidade de ainda não o sermos e sinto mesmo um pouco do "friozinho" que será a inevitável desilusão caso uma "Gréciazinha" ou uma "Françazinha" nos trame e tal não se venha a concretizar).

Humildade q.b., dedicação e concentração sem fim, algum sofrimento (epá...isto sem sofrermos um pedaço torna-se um Domingo de passeio e para isso não preciso de ligar a TV) um pedaçito de sorte e lá mais para o fim, uma ou outra loucura saudável. Assim, sim.

terça-feira, 3 de junho de 2008

11


Diz que fez 11 anos da morte do Jeff no passado dia 29 de Maio.
Com um certo atraso, aqui vai a minha singela "homenage" ao mestre.
[A imagem pode parecer à primeira vista repugnante (concordo que não seja a melhor para uma homenagem) mas é a que, para mim, melhor ilustra esta grande música e letra.]


Jeff Buckley - The sky is a landfill



Circle around the park, joining hands in silence
Watch the evil black the sky
The storm has ripped the shelter of illusion from our brow
This power is no mistery to us now.
Leave your spirit genocide, the cancer you won't
remove.
We cast our funeral rose inside and bury the need to prove.
Our mutilation is to gain from the system.
Turn your head away from the screen, oh people,
It will tell you nothing more.
Don't suck the milk of flaccid Bill K. Puclic's empty promise
To the people that the public can ignore.
This way of life is so devised tu snuff out
the mind that moves,
Moving with grace the men despise,
and women have learned to lose.
Throw off your shame of being slave to the system.
I see you take another drag,
one more lost soul to raise your flag.
The sky is a landfill!
I see you take another drag,
Let's see you take another drag.
You like to dance to the rolling head of the adultress,
You sing in praise of suicide. We know you're useless,
Like cops at the scene of the crime,
With your steroids and your feedbag and your stable
and your trainer,
I got a mail bomb for you, Mr Strong Arm.
Throw out the stones from all the cemetery homes,
For the violence of a nation gone by,
Or the politics of weakness and the garbage dump of souls
That will now black the sky.
Their yellow haze and crwods of eyes
will plug up the mind that moves,
Moving with grace the men despise,
and women have learned to lose.
We'll share our bodies in disdain for the system.
I see you take another drag,
Our nation bends to kiss the hag.
The sky is a landfill.
I see you take another drag, I see you take another drag.
I have no fear of this machine!

domingo, 1 de junho de 2008

Cinema por casa

Requiem for a Dream, Darren Aronofsky (2000)

Filhos da droga

A filha pródiga.

Amy Winehouse, Rock in Rio 2008 (imagens Sol)

Felizmente não fui (repito: felizmente- pensava eu até então infelizmente- não pude).
Há até quem me garante de fonte segura que poupei 53 euros. Fica para a gasolina. Ainda bem.

Ainda assim, a melhor descrição que li do concerto é sem dúvida esta do Bruno Nogueira: "imaginem um desastre na A1 entre um autocarro com uma excursão de idosos e um Fiat Punto de um emigrante na Suíça". É: diz tudo mesmo. Com a diferença do acidente na A1 ser "à pala" (bem..."à pala" não é bem o termo mais correcto- nota colocada a posteriori).

Como se fosse preciso, uma breve ideia da "menina linda"-da-coca/crack/vá-se-lá-saber-mais-do-quê ou o desperdício da coisa em qualquer coisa como 3 minutos.



Mais "um chuto" e rebentas. Temos pena. Muita mesmo.

sábado, 31 de maio de 2008

"sic"

5 mililitros de gasolina a seguir às refeições, revista Visão, R.A.P.

Assaltaram-me o carro. Deixaram o auto-rádio onde estava, desdenharam a minha carteira, mal escondida no porta-luvas e não tocaram no GPS. Levaram-me só os sete litros e meio de gasóleo que tinha no depósito.
A gatunagem apanhou-me, amigo leitor. Assaltaram-me o carro. E eram profissionais, os bandidos: deixaram o auto-rádio onde estava, desdenharam a minha carteira, mal escondida no porta-luvas, e não tocaram no GPS.
Levaram-me só os sete litros e meio de gasóleo que tinha no depósito. Espertalhões. Isto da carestia dos combustíveis também tinha de ter os seus inconvenientes.
Felizmente, as vantagens são inúmeras: há menos engarrafamentos, menos acidentes na estrada e menos carjacking. Com a gasolina a este preço, nenhum bandido no seu juízo perfeito rouba um carro. É meter-se em despesas. Por cada três Multibancos que assalta, dois são para pagar a gasolina necessária para as deslocações. É evidente que não compensa.
Mesmo assim, não faz sentido dizer que a vida está difícil, porque a verdade é que a morte está ainda pior. O Governo tem tudo previsto. Se o primeiro-ministro nos faz a vida negra, façamos-lhe a justiça de reconhecer que também nos torna a morte quase impossível. O suicídio, hoje em dia, está praticamente fora de hipótese. A imolação pelo fogo, tão popular no Médio Oriente, é-nos vedada pelo preço da gasolina. A escassez de sobreiros faz do enforcamento uma impossibilidade técnica. Comprimidos, nem pensar: as farmacêuticas vão-nos ao bolso. Apostar no cancro do pulmão é arriscado, porque quase não se pode fumar em lado nenhum. E as intoxicações alimentares são cada vez mais custosas, que a ASAE não dorme. A única hipótese é morrer de tédio, na fila para abastecer o carro nas bombas que vendem gasolina dois ou três cêntimos mais barata.
O que eu lamento, sobretudo, é a sorte daquela gente que tem o hábito de meter um valor de gasolina, e não uma quantidade. O leitor sabe como é: em vez de meterem 10 litros de combustível, estão habituados a ir à bomba meter 10 euros. Coitados. De há dois ou três anos a esta parte, tiveram uma surpresa. Em 2005, metiam 10 litros, e hoje metem uma colher de sopa. Dantes, enchiam o depósito com a mangueira, e agora abastecem com a colherzinha dos medicamentos.
Actualmente, é possível começar a encher o depósito e o preço do combustível aumentar duas ou três vezes enquanto se abastece. Uma pessoa pensa que tem dinheiro para atestar e no fim verifica que afinal tem de vender o carro para pagar a conta da gasolina. É possível, aliás, que o barril de crude tenha batido sete novos recordes desde que o leitor começou a ler isto. O melhor é ir encher o depósito antes que as estações de serviço comecem a vender gasolina em frasquinhos de perfume. Não deve faltar muito.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Até que a vista nos doa (7)

Aline Morais

O regresso. Ou pensavam que me esquecia desta rúbrica?

Não tenho paciência para novelas. Se a tive, a par da capacidade para jogos de cartas (hmm...espera-me uma reforma solitária, estou a ver), esvaiu-se-me rápida e sorrateiramente. Talvez, algures nos meus confins telencefálicos, o pequeno espaço contemplado à ficção continuada (vulgo novelas) seja re-du-zi-di-ssí-mo (vá, vamos- isto na melhor das hipóteses- apontar aí para umas 10 histórias simultâneas de volume generoso de bagageira). A partir desta marca, faço curto-circuito e confundo personagens, nomes, constrúo pares românticos inéditos. Em contrapartida (a Natureza é justa ainda tenho para mim), julgo ter outras áreas hipertrofiadas ou não fosse eu, por exemplo, "menino" para ir esparançosamente incorporando (entre outras coisas) o nome de 1 marroquino, 2 hondurenhos (confesso que fiquei com dúvidas entre hondurenho e honduranho) e 3 nabimianos por ano, que se dizem ser, no início de cada temporada, os craques que (e por falar nisso, este ano sim, é que é!) vão finalmente levar o meu Benfica rumo ao título (e falo mesmo do europeu, claro). Ainda que, na maior parte das vezes, passados 3 mesitos não passem de uns perfeitos desconhecidos ou, caso a situação atinja proporções escandalosas, se assumam como vedetas nº1 do gozo público nacional (e como tal, sobretudo, dos amiguinhos/família/conhecidos que ainda vou tendo do "FCPiê" e "Sporte"). É tudo uma mera questão de gestão de stock, diria.

Enfim retomando as novelas, se lhes tomar alguma atenção (falo da atenção na história, claro), ao fim de poucos episodios é uma salganhada total. Se falarmos então das portuguesas, creio que o problema atinge dimensões quase sugestivas de um problema demencial (tudo isto devido à extraordinária repetição dos nossos actores de novela para novela).

Resta-me então olhar para o ecrã e decorar umas tantas caras que valem a pena.
Como esta, de seu nome (e pelo que me foi sabiamente transmitido): Aline Morais.

Cá para nós (esta é, de facto, uma private joke): não será esta senhora a dona de uma falangeta do 2ºdedo da mão direita tão pesada capaz de nos despertar do sono, qualquer coisa como às 6h45? Who knows...? é que julgo que a menina Cat, por mais que quisesse e tentasse, não daria com o sítio, ou não fosse ela desorientada por Natureza. Já esta Aline, dizem que foi boa aluna a Geografia e que até faz "multi-caches" nos tempos livres com o seu GPS.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sim...

...também já me converti à "cena do momento": VAMPIRE WEEKEND.
Aconselho vivamente. Sabe a Verão (ainda que o tempo não esteja ainda para tal) e com Verão rima boa disposição.
Tomem lá disto então.

Vampire Weekend - Oxford Comma


P.S: E sim, descobri que também eu não uso a mítica "Oxford Comma".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cat Power, Coliseu 26.05.08 (e as minhas ilações)

1. Que o Coliseu dos Recreios é uma sala bonita, é (no sítio onde eu estava então, talvez fosse o melhor local para o atestar).
2. Que lá bem de cima não se vê/ouve grande coisa, é verdade infelizmente.
3. Que já lá por baixo parece que concerto foi do caneco, é uma verdade maior ainda (e não me venham com paleios que eu bem vi os malandros lá em baixo sentadinhos a curtir).
4. Que tive pena de não estar também sentadinho na primeira fila, confesso que tive. Que teve momentos em que chegou a roçar a inveja saudável, sim teve.
5. Que mesmo com aquela distância e ressonância toda à mistura lá por cima, a dança descomprometida, desengonçada mas com muito estilo e extremamente sensual de Cat Power, nos faz ficar uns bons minutos absortos, é um facto. Deixou mesmo já de ser uma verdade só, há muito.
6. Que vozes de veludo chegam ao céu não sei ainda, mas vos garanto que (ainda que não nas melhores condições) ao quase-tecto do Coliseu chegam, lá isso chegam.
7. Que 98% da plateia masculina (e heterossexual) desejou levar Cat Power para casa, também é um facto.
8. Que eu saiba ninguém a levou (muito menos eu), é uma verdade (triste no meu caso).
9. Que era menino para a "esposar", lá isso era.
10. Que nunca tinha visto uma despedida que durasse 10 min, é verdade sim senhor, nunca tinha visto não. Havia mesmo malta que não queria sair de lá sem um abracinho, desconfio. Que mais de metade deles não eram gajas, disso também ninguém me convence do contrário. Oportunistas, como vos entendo.
11. Que se ela voltar cá não cometo o mesmo erro, é verdade sim senhor, e a isso se chama inteligência (ou aprender com os nossos erros, if you want).
12. Ahh...que a menina estava sóbria (ou pelo menos fingia bem), é uma verdade a assinalar também.

Que venha Feist, então.
(e Cat Power de novo se puder ser, desta feita num lugarzinho de jeito, também.)

Fica aqui Metal Heart (em pleno Coliseu e a versão do albúm), um single re-editado no último albúm de covers Jukebox e, quanto a mim, uma das músicas mais poderosas de Chan Marshall (Cat Power).



Metal Heart - Cat Power


Losing the star without a sky
Losing the reasons why
You're losing the calling that you've been faking
And I'm not kidding

It's damned if you don't
And it's damned if you do
Be true cause they'll lock you up
In a sad sad zoo
Oh hidy hidy hidy what cha tryin to prove
By hidy hidy hiding you're not worth a thing

Sew your fortunes on a string
And hold them up to light
Blue smoke will take
A very violent flight
And you will be changed
And everything
And you will be in a very sad sad zoo.

I once was lost but now I'm found was blind
But now I see you
How selfish of you to believe
In the meaning of all the bad dreaming

Metal heart you're not hiding
Metal heart you're not worth a thing

Metal heart you're not hiding
Metal heart you're not worth a thing

segunda-feira, 26 de maio de 2008

De profundis

Ou o que trouxe comigo da Feira do Livro.

Janeiro de 1995, quinta-feira. Em roupão e de cigarro apagado nos dedos, sentei-me à mesa do pequeno-almoço onde já estava a minha mulher com a Sylvie e o António que tinham chegado na véspera a Portugal. Acho que dei os bons dias e que, embora calmo, trazia uma palidez de cera. Foi numa manhã cinzenta que nunca mais esquecerei, as pessoas a falarem não sei de quê e eu a correr a sala com o olhar, o chão, as paredes, o enorme plátano por trás da varanda. Parei na chávena de chá e fiquei. Sinto-me mal, nunca me senti assim, murmurei numa fria tranquilidade. Silêncio brusco. Eu e a chávena debaixo dos meus olhos. De repente viro-me para a minha mulher:
«Como é que tu te chamas?» Pausa.
«Eu? Edite.» Nova pausa.
«E tu?»
«Parece que é Cardoso Pires», respondi então.

in De Profundis, Valsa Lenta, José Cardoso Pires


O impressionante relato de um AVC na primeira pessoa.

Das minhas memórias vintãs

Segunda-feira de chuva, já dizia o boletim e assim foi. Mas, por momentos, o Sol levou a melhor e lá conseguiu iluminar timidamente um dos locais que mais aprecio na Lisboa que conheço. Estava curioso em ir lá. Vinha até incubando a ideia havia já alguns dias e fiquei meio aziado quando soube do seu possível cancelamento. É que do alto do Parque se tem das vistas mais belas e magistosas, Avenida fora até ao rio (e quanto a mim, em nada fica atrás da também espetacular vista do alto do Castelo). E depois, aquelas barraquinhas só podiam dar-lhe um toque especial.


Era dos primeiros (senão mesmo o primeiro a sério, depois do adiar polémico) dia da Feira do Livro (78ª, ao que parece). Ainda se desfaziam as primeiras embalagens do dia e víamos-nos obrigados a contornar alguns caixotes de cartão, repletos de livros no interior. E o cheiro dos livros (sim, os livros têm cheiro e não me venham com histórias de delírios sensoriais...). Um cheiro que pairando no ar livre tem outro gosto. Se tem. E naquele serpentear barracas fora, não consegui travar memórias (já longínquas quando enquadradas na minha vintena e uns trocos mais de existência) dessas mesmas barraquinhas plantadas à beira rio, na outrora efeméride que era também a Feira do Livro de Coimbra, em pleno Parque da Cidade. Tinha outro gosto, se tinha, aquelas barraquinhas (curioso- disseste-me tu isto noutro dia também, não foi?). Hoje, tão "sem-saborona", entediosa. Uma tristeza.

Aqui por Lisboa, ainda se lhe guarda um pouco desse encanto (te garanto), quiçá feito segredo nessa disposição geométrica das barraquinhas, no local (não sei ao certo mais em quê mas aquelas esplanadas para o café também têm o seu quê). Ainda que já não seja a mesma também, disse-me quem por cá anda há algum.


Sinais dos tempos, das Fnacs, das livrarias sem fim, megastores de livros, cds e dvds tornadas feiras "fabulásticas" todos os dias (das quais também eu sou imenso apreciador e assíduo frequentador). Mas admito que em nada, mas mesmo em nada, o conforto da oferta constante, supera a satisfação da procura desenfreada, satisfeita então apenas numa dezena de dias do ano. Com todo aquele enquadramento, capaz de me levar a outros sítios, uns bons anos atrás. É, no mínimo dos mínimos, mesmo nos dias que correm, uma iniciativa que urge em revitalizar, por ser tão só (e pelo menos), a mais agradável e saudável de todas, no que diz respeito ao incentivo da leitura entre nós.

sábado, 24 de maio de 2008

Cinema fora de casa

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Steven Spielberg (2008)

Definitivamente, há coisas que ficaram já bem lá na infância.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cinema em casa

Os Sonhadores, Bernardo Bertolucci (2003)


The Darjeeling Limited, Wes Anderson (2007)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

I love the sound of you walking away


Franz Ferdinand - Walk away




Sim, admito que os últimos posts têm sido única e exclusivamente foto/musicais.
[...não me tivessem chegado certas "reclamações" por baixo da porta- às vezes um tipo esquece-se que ainda há quem venha regularmente cá.]

É que ando sem pachorra para escrever muito e poucas coisas interessantes tenho para mostrar/dizer. Perdoem-me o ócio. Só pode piorar e não se auguram (pelo menos num futuro imediato) melhoras sigificativas.
No entretanto, levem lá com mais uma músiquinha, oferta mui querida da casa (escusam de agradecer). Esta recordada aos meus ouvidos um dia destes, numa das urgências nocturnas de Cirurgia do HSM, através dessa mítica companhia que é um rádio sintonizado na Radar noite fora (e que companhia, aconselho vivamente a quem sofra de insónias e bom gosto musical). E uma imagem até que interessante: 3 internos (moi um deles, os outros 2 mais velhos mas todos nós nos vinte e poucos), a cantarolar/assobiar este refrão, enquanto se suturava mais um desgraçado (mas com carinho porque se há músicas que deixam um tipo bem-disposto esta é, por certo, uma delas). Ora vejam lá.

domingo, 18 de maio de 2008

Sometimes it hurts

Está o tempinho ideal para Tindersticks e ao que parece até "abriu a época de caça" ao novo albúm.
Mas a chuva ainda teima em embalar ao sabor deste dueto Sometimes it hurts, um single de 2003.
Delicioso. Está (e há de estar enquanto o tempo assim convidar) em modo repeat por aqui.
E o vídeo...daqueles. Fica a sugestão.

Tindersticks - Sometimes it hurts

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Redemption song




Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took I
From the bottom less pit.
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.
Won't you help to sing
these songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look
Oh! Some say it's just a part of it:
We've got to fulfill the book.
Won't you help to sing
these songs of freedom
'Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our mind.
Wo! Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them-a can-a stop-a-the time
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look?
Yes, some say it's just a part of it:
We've got to fulfill the book.
Won't you help to sing
These songs of freedom?
'Cause all I ever had:
Redemption songs
All I ever had:
Redemption songs:
These songs of freedom,
Songs of freedom.

terça-feira, 13 de maio de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Acerca dos contadores de estórias

Confesso que tenho um fraco por uma boa história. Das verídicas, de Vida. Sobre ela ou que dela nos expliquem algo. Isto por aqueles (que considero mestres exímios) que, muitas vezes em poucas palavras ou mesmo num par de imagens só, sabem captar a minha atenção. Toda. E quase me deixam boquiaberto.
[E para que se perceba a arte da coisa, não sou assim tão facilmente deslumbrável, acho.]

O que é uma boa explicação senão uma daquelas histórias fantásticas (muitas vezes bem simples, até) com algum sentido para nós?
Guardo na minha memória, ao longo do meu percurso pessoal e sobretudo académico, uns tantos exemplos do género. Entre outros, foi assim que cedo interiorizei alguma da geografia mundial; a serotonina enquanto neurotransmissor importante nos nossos estados de humor (!!!...por mais ridículo que isto possa parecer...); a importância do pescoço das girafas (objecto último da selecção natural darwiniana) na distinção das principais teorias evolucionistas; a fisiopatologia da insuficiência cardíaca (e a imagem da mítica barragem de Hoover no Colorado), entre outros. Ficaria aqui a citar "éne" exemplos, alguns ainda mais ridículos que estes (como se isso fosse possível...mas é).
Quem disse que as boas explicações não podem ser ridículas?


Mas a mais recente delícia que adicionei ao reportório foi esta, acerca da importância do repouso na terapêutica da tuberculose, doença infecciosa, então temível (e nalguns casos ainda temível) entre nós:

...Antes da estreptomicina a tuberculose era uma doença terrível, no sentido literal do termo. Na tuberculose pulmonar há que distinguir as formas "instaladas" de lesões crónicas fibro-caseosas escavadas- cuja solução era a lobectomia ou mesmo a pneumectomia quando unilaterais e sem solução quando bilaterais- e as formas iniciais de infiltrado precoce escavado ou não, mas eventualmente curáveis pelo colapso do pneumotoráx ou pneumoperitoneu em cerca de dois anos ou mesmo, quando incipientes, pelo rigoroso repouso acamado. Recordo a minha explicação ao doente: pegava-lhe na mão e virava o dorso para cima e dizia: "imagine que tem um golpe nesta pele a querer cicatrizar mas que tem de repuxar a pele permanentemente cerca de 16 vezes por minuto (e exemplificava, repuxando um pouco a pele 2 ou 3 vezes...). Se o repuxão for pequeno ainda é possível que faça cicatriz mas, se ele for grande e, pior ainda, mais de 16 vezes por minuto, é certo e garantido que nunca mais cura. Ora é isto mesmo que acontece no seu pulmão. Ele tem uma lesão tuberculosa com uma pequena cavidade que pode e deve fechar e cicatrizar, mas, para isso, é preciso que a respiração seja lenta e suave. Basta um suspiro fundo para rasgar a cicatriz que estiver a começar. Tem, pois, que estar em repouso absoluto, sem respirar fundo as 16 respirações por minuto que fazemos em repouso. Deita-se e só muda de posição quando for mesmo necessário. Pode ouvir telefonia mas, se gosta de futebol, está proibido de o ouvir pois vai emocionar-se, suspirar e rasgar as cicatrizações que estiver a fazer..."...

in Relance sobre a História da Medicina Contemporânea, Pedro Eurico Lisboa

domingo, 11 de maio de 2008

Vermelho Scarlett/Até que a vista nos doa (6)

Porque em democracia as loiras também votam.

Scarlett Johansson

Delícias

A ruralidade, a qualquer coisa como uma dezena de kms de Lisboa. Até custa a acreditar.
Sempre gostei dos contrastes.
Chamem-me egoísta mas, entre a côdea e o miolo da broa, não abdico de nenhum deles.

Cinema em casa

In the mood for love (Fa yeung nin wa), Wong Kar Wai (2000)

P.S: Obrigado Inês, por me teres lembrado a posteriori deste filme que me andava a escapar à rotina das postagens cinéfilas.